Práticas Sobre Mastigação

Segundo o Ministério da Saúde, na última década o número de crianças e adolescentes obesos bateu níveis recordes no Brasil. O aumento do consumo de comidas industrializadas vem sendo apontado como o principal motivo desses resultados. Mas será que é o único motivo?

A obesidade é o principal fator relacionado a distúrbios como a hipertensão, a diabetes tipo 2 e infarto do miocárdio. Sendo que crianças e adolescentes obesos tendem a se tornar adultos obesos. Portanto, as campanhas que incentivam mudanças de comportamento que possam reduzir o número de crianças e adolescentes obesos são fundamentais para a saúde das próximas gerações de adultos.

Dentre as estratégias para evitar a obesidade, a mastigação adequada se mostra muito eficiente e de fácil incentivo. Uma boa mastigação, segundo a OMS, pode reduzir em até 15% a quantidade diária de calorias ingeridas por uma pessoa.

As primeiras atividades práticas com os alunos do Ensino Fundamental II deste ano buscaram investigar a relação entre:

1 – Peso (IMC) e mastigação adequada

2 – Idade e mastigação adequada

Para isso, em laboratório, 108 alunos de diferentes idades receberam a mesma porção de alimento (1 biscoito) e mastigaram normalmente até a deglutição. O número de mastigações foi contabilizado com um contador analógico e os dados (idade, peso, altura e mastigação) de cada aluno foram transferidos para o computador.

 

O gráfico abaixo expõe a relação observada entre peso (IMC) e mastigação

– As barras azuis indicam o número médio de mastigações de cada grupo de alunos.

– A linha vermelha indica o número mínimo de mastigações recomendadas.

 

É possível notar que os alunos que estão na faixa do sobrepeso e da obesidade mastigam bem menos que o necessário!

PRIMEIRA JUSTIFICATIVA: Quanto mais um indivíduo mastiga uma porção de alimento, mais seu cérebro interpreta que ele está saciado. Consequentemente, a fome passa com uma quantidade menor de alimento ingerido!

SEGUNDA JUSTIFICATIVA: O alimento mais bem mastigado é digerido e absorvido mais rapidamente para a corrente sanguínea. O cérebro, ao perceber esse aumento de nutrientes disponíveis, diminui a sensação de fome. O indivíduo come menos!

 

O gráfico abaixo expõe a relação observada entre idade e mastigação

– As barras azuis indicam o número médio de mastigações de cada faixa etária dos alunos (10 anos em diante).

– A linha vermelha indica o número mínimo de mastigações recomendadas.

É possível notar que os alunos a partir dos 13 anos têm tendência a mastigar menos, o que pode induzi-los à obesidade!

JUSTIFICATIVA: O índice de estresse e ansiedade em pré-adolescentes tende a aumentar à medida que avançam na puberdade. A ansiedade está ligada diretamente a um número menor de mastigações!

 

Posteriormente, as mesmas turmas realizaram um novo experimento elucidando o efeito da mastigação na eficiência de digestão dos alimentos. Para isso, comprimidos efervescentes mergulhados em água foram usados como simulação.

Primeiramente, foram mergulhados comprimidos inteiros (simulando alimentos não mastigados). Posteriormente, foram mergulhados comprimidos partidos em 4 (quatro) pedaços (simulando alimentos pouco mastigados). E, por fim, foram mergulhados comprimidos totalmente triturados (simulando alimentos mastigados adequadamente). Os alunos cronometraram o tempo gasto para total dissolução (digestão) dos comprimidos em cada situação.

 

O gráfico abaixo expõe a relação observada entre trituração e digestão dos comprimidos

– As barras azuis indicam o tempo médio (em segundos) de digestão em cada situação.

 

É possível notar que quanto mais triturado estiver o comprimido, mais rapidamente ele é digerido!

 

CONCLUSÃO

A mastigação adequada diminui a sensação de fome, pois os nutrientes são digeridos e absorvidos com maior eficiência. Como consequência, crianças e adolescentes que mastigam adequadamente têm menos riscos de se tornarem obesos.